O avanço da ocupação urbana no entorno do Distrito Federal e a forte dependência entre os municípios vizinhos e Brasília ganham contornos mais claros com os dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios ampliada (Pdad-A) 2024. O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, oferece um retrato atualizado da Área Metropolitana de Brasília, que reúne o DF e a área urbana de 12 municípios de Goiás.
De acordo com a pesquisa, a região metropolitana concentra mais de 4,2 milhões de moradores, espalhados por 1,8 milhão de domicílios. Apenas nos municípios goianos que formam a Periferia Metropolitana de Brasília vivem 1,27 milhão de pessoas, o que evidencia o peso demográfico do Entorno e sua relação direta com a capital federal.
Entre as cidades analisadas, Águas Lindas de Goiás, Luziânia e Valparaíso de Goiás aparecem como os principais polos populacionais. Águas Lindas chama atenção por apresentar uma população mais jovem que a média regional e por concentrar elevados índices de famílias constituídas por casal com filhos.
O levantamento também revela diferenças marcantes no perfil social dos municípios. Padre Bernardo lidera no percentual de moradores negros, enquanto Formosa registra a maior proporção de católicos. Esses dados reforçam a diversidade cultural e social existente dentro de um mesmo espaço metropolitano.
No campo habitacional, os números mostram que Planaltina de Goiás apresenta os maiores percentuais de imóveis próprios e de domicílios chefiados por mães solo. Já Águas Lindas se destaca pela alta presença de animais de estimação nos lares, um indicador associado ao perfil familiar predominante no município.
Para o presidente do IPEDF, Manoel Clementino, a pesquisa amplia a capacidade de planejamento dos gestores públicos. Segundo ele, os dados permitem compreender não apenas o tamanho da população, mas também a forma como os territórios se conectam no dia a dia.
Essa dinâmica de integração aparece com força nos dados sobre deslocamento. A diretora de Estatística e Pesquisas Socioeconômicas do instituto, Francisca Lucena, destaca que o estudo mostra quantas pessoas precisam sair do município onde moram para trabalhar ou estudar, informação considerada essencial para o desenho de políticas de mobilidade, saúde e educação.
A leitura regional também é compartilhada pelo secretário do Entorno do Governo do Distrito Federal, Cristian Viana, que aponta a necessidade de ações articuladas. Para ele, a proximidade com Brasília transforma o Entorno em área estratégica, exigindo políticas públicas capazes de responder às demandas de uma população que circula diariamente entre diferentes cidades.
Ao reunir dados atualizados e comparáveis, a Pdad-A 2024 reforça o papel da estatística como ferramenta central para compreender os desafios metropolitanos e orientar decisões públicas em uma região marcada pela interdependência entre o DF e os municípios vizinhos.

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