InícioDistrito FederalO outono de Ibaneis e o vácuo no poder de Brasília

O outono de Ibaneis e o vácuo no poder de Brasília

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A política de Brasília mantém sua rotina previsível até o exato instante em que surge o imprevisto. O recuo de Ibaneis Rocha (MDB), que abriu mão de disputar uma candidatura ao Senado, perturba o roteiro que havia sido desenhado desde sua reeleição em 2022. Ao escolher o recolhimento, o ex-governador não fecha apenas uma cortina pessoal. Ele desmonta o arranjo de forças que dava sustentação à base governista do Distrito Federal para as próximas eleições.

O discurso oficial foca no cansaço. São quase oito anos no Palácio do Buriti, um período marcado pela complicação do afastamento após o 8 de janeiro e por um subsequente retorno garantido nos tribunais. Ibaneis agora fala em advocacia e família. Mas quem respira os bastidores da capital sabe que o esgotamento, na vida política,  quase sempre é cálculo de risco.

A saída de cena coincide com uma problemática nos bastidores financeiros e jurídicos locais. As investigações que envolvem o BRB com o Banco Master vinham cobrando um preço alto demais à imagem do emedebista. Enfrentar uma campanha majoritária sob o bombardeio diário de suspeitas demandaria um capital político que ele, friamente, preferiu não perecer na urna.

O impacto prático disso são alguns contratempos de rearranjos politicos. Celina Leão, que herdou a cadeira de governadora em março agora terá que carregar a campanha de sucessão sem a sombra do antigo titular. Além disso, o chamado “centrão” local perde o seu eixo de gravidade. Partidos aliados que antes aceitavam a hegemonia do MDB vão, inevitavelmente, avançar sobre o espólio, exigindo fatias maiores na chapa majoritária.

A oposição, tanto à esquerda quanto à direita ideológica, ganha um balão de oxigênio inesperado. O que parecia uma eleição travada contra uma máquina pública pesada virou um cenário fragmentado e exposto. Ibaneis Rocha deixa o tabuleiro antes mesmo da campanha oficial começar. Abre mão do poder formal, mas preserva a influência de quem guarda as chaves dos segredos políticos da cidade. O mercado político não lê seu descanso como aposentadoria, mas como um recuo estratégico.

A grande questão agora é saber quem terá tamanho para ocupar o vácuo deixado por ele. Claro que na atual conjuntura, com os índices de aprovação ótimo, a governadora Celina Leão pouco ou nada perdera.

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