O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) abriu, nesta quinta-feira (9), uma nova frente de atuação para fortalecer a educação no trânsito dentro das salas de aula. Com 297 professores inscritos, teve início o 17º ciclo do curso Mobilidade e Trânsito, voltado à formação de profissionais da rede pública e à disseminação de práticas educativas capazes de impactar o comportamento de crianças e adolescentes no dia a dia.
A capacitação faz parte do programa Detran nas Escolas e aposta na formação continuada como estratégia para ampliar o alcance das ações de conscientização. A proposta é clara: levar o tema da mobilidade para além de campanhas pontuais e incorporá-lo, de forma permanente, ao ambiente escolar.
Com carga de 120 horas, o curso será realizado em formato híbrido, reunindo encontros presenciais, atividades online e momentos interativos. Professores, orientadores educacionais, psicólogos e pedagogos participam da formação, que busca integrar o conteúdo às disciplinas já existentes, sem a necessidade de criar uma matéria específica.
Responsável pela Escola Pública de Trânsito, Marcelo Granja explicou que a iniciativa ocorre em parceria com a EAPE-DF, ligada à Secretaria de Educação, e destacou o caráter prático da proposta. “A gente trabalha para que o professor consiga inserir o tema no conteúdo que já ensina, de forma natural, com atividades que façam sentido para cada etapa escolar e que dialoguem com a realidade dos estudantes”, afirmou. “O objetivo é transformar esse conhecimento em algo vivo dentro da escola.”
A proximidade do Maio Amarelo, movimento nacional de conscientização no trânsito, reforça o peso da iniciativa. Para o diretor de Educação de Trânsito do Detran-DF, Dayveson Franklin, investir na formação dos educadores é um passo essencial para mudar a realidade nas ruas. “Os índices de mortes no trânsito já chegaram a patamares extremamente elevados no país. A mudança começa pela educação, com professores preparados para trabalhar valores como respeito, responsabilidade e cuidado com a vida”, destacou. “Desde cedo, os alunos já fazem parte desse contexto e precisam ser orientados.”
Ao longo das próximas semanas, os participantes vão desenvolver atividades voltadas à aplicação prática do conteúdo no cotidiano escolar. Na aula inaugural, foram apresentados a plataforma do curso, os materiais pedagógicos e o cronograma das próximas etapas, que incluem encontros temáticos e elaboração de projetos.
Na avaliação de quem já participa da formação, o impacto é direto. Professora da Escola Classe 45 P Sul, em Ceilândia, Ana Paula Barbosa da Silva ressaltou o potencial das atividades no comportamento dos alunos. “A mobilidade está presente na rotina das crianças e, quando a gente trabalha isso de forma lúdica, com jogos e dinâmicas, o aprendizado acontece de forma mais natural e se estende para além da escola”, relatou.
Já a professora Bruna Alessandra Silva Lima, da Escola Classe 413 Sul, destacou mudanças percebidas no dia a dia dos estudantes. “A gente observa atitudes diferentes, como maior aceitação do uso de dispositivos de segurança e interesse em aprender regras básicas de convivência no trânsito. O material ajuda muito, porque aproxima o conteúdo da realidade deles”, afirmou.
Além da formação de educadores, o programa Detran nas Escolas também atua diretamente com estudantes do ensino médio por meio do eixo Cidadania no Trânsito. Nessa etapa, os alunos têm acesso a conteúdos teóricos ligados à futura obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, incluindo legislação, direção defensiva, primeiros socorros e noções sobre meio ambiente e funcionamento de veículos.
A iniciativa busca consolidar uma cultura de responsabilidade no trânsito e reduzir acidentes a longo prazo. Em 2025, o programa já alcançou centenas de estudantes da rede pública em diversas regiões administrativas do Distrito Federal, ampliando o papel da escola como espaço de formação cidadã e prevenção.

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