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Saída de Ibaneis do GDF encerra ciclo e relembra episódios que marcaram sua gestão

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A saída de Ibaneis Rocha (MDB) do Governo do Distrito Federal marca mais do que uma troca de comando: é o início de uma nova disputa de poder na capital do país. Fora do cargo após sete anos e três meses, o agora ex-governador entra oficialmente na corrida por uma vaga no Senado nas eleições de 2026, apostando no histórico à frente do DF como principal ativo político.

A decisão foi tomada dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral e abre espaço para a posse da vice-governadora Celina Leão, que assume o comando do Executivo local em um cenário já influenciado pela disputa que se aproxima.

Ibaneis chegou ao governo em 2018 sem experiência em cargos eletivos, após trajetória consolidada na advocacia. Presidiu a OAB-DF entre 2013 e 2015, integrou o Conselho Federal da entidade e atuou como corregedor-geral. Naquele ano, ultrapassou a marca de 1 milhão de votos válidos e se tornou o primeiro nascido em Brasília a ocupar o cargo de governador.

Logo no início da gestão, o governo foi impactado pela pandemia de Covid-19, que alterou completamente o planejamento da administração. Com a confirmação dos primeiros casos, foram adotadas medidas como a suspensão de aulas, a interrupção de eventos e a paralisação de serviços. Em 2021, o DF enfrentou um período mais restritivo, com lockdown e toque de recolher. A flexibilização ocorreu de forma gradual entre 2022 e 2023.

Ibaneis afirma que, ao assumir o governo, encontrou um cenário de dificuldades financeiras e falta de projetos estruturados, com mais de R$ 8 bilhões em dívidas. Segundo ele, a reorganização das contas públicas foi o primeiro passo para viabilizar investimentos e ampliar as entregas.

Entre os principais projetos da gestão estão obras como o túnel de Taguatinga, intervenções na DF-140 e o programa Drenar-DF, além da ampliação da rede de saúde com novas UPAs e UBSs. O balanço do governo aponta cerca de 7,3 mil obras concluídas ao longo dos dois mandatos.

Em 2022, Ibaneis foi reeleito ainda no primeiro turno, com 832.633 votos, o equivalente a 50,31% dos votos válidos — resultado inédito no Distrito Federal.

O segundo mandato, no entanto, começou sob forte tensão. Em janeiro de 2023, os atos antidemocráticos levaram à invasão e à depredação das sedes dos Três Poderes, colocando Brasília no centro da crise institucional do país. Cerca de 1,4 mil pessoas foram condenadas pelos crimes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), responsabilizado por tentativa de golpe de Estado.

No contexto das investigações, Ibaneis foi afastado do cargo por 65 dias e alvo de busca e apreensão. Ao retornar, afirmou estar “de coração limpo”. Em março de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o arquivamento do inquérito em relação ao governador, apontando ausência de indícios de omissão ou interferência nas ações das forças de segurança.

Na área administrativa, o governo adotou medidas voltadas ao funcionalismo. Entre 2024 e 2025, foram concedidos reajustes salariais, reestruturações de carreira e realizadas mais de 2 mil nomeações de policiais e bombeiros. Também foi aprovado aumento de até 27,2% para as forças de segurança, proposta pelo GDF, validada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Professores da rede pública também tiveram ampliação das gratificações por titulação.

Outro ponto destacado pela gestão foi a criação do GDF Saúde, plano voltado aos servidores públicos, que passou a atender mais de 80 mil beneficiários.

Apesar dos avanços apontados, o governo também enfrentou investigações em diferentes áreas, incluindo a Secretaria de Esporte, a Secretaria de Educação, o Iges-DF e o Iprev-DF.

No caso do Iprev, o ex-presidente Ney Ferraz Júnior foi condenado pela Justiça do DF por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele nega as acusações e recorre ao Superior Tribunal de Justiça. Após a decisão em segunda instância, Ibaneis determinou sua exoneração do cargo de secretário de Economia.

Na reta final da gestão, uma nova crise ganhou destaque com o caso envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e operações com o Banco Master, investigadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O banco teve de lidar com prejuízos relacionados a negociações com a instituição.

Ibaneis afirmou que não participou diretamente das tratativas e que foi informado sobre a operação como uma estratégia para expandir o BRB, sem necessidade de recursos do governo local. Disse ainda que não tem domínio técnico sobre o sistema financeiro, afirmando que não sabe “nem passar Pix”.

Questionado sobre a compra de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, afirmou que só tomou conhecimento mais detalhado quando surgiram os problemas.

Com a saída do governo, Ibaneis passa a concentrar esforços na disputa pelo Senado. Ele defende a construção de unidade entre candidatos de centro-direita, mas admite que pode haver fragmentação.

Entre os nomes colocados estão Bia Kicis (PL), Michelle Bolsonaro (PL), Sebastião Coelho (Novo) e o próprio Ibaneis Rocha.

O ex-governador afirma que pretende fazer uma campanha focada na apresentação de resultados e evitar ataques pessoais. Ao mesmo tempo, tem adotado discurso crítico ao campo da esquerda e defende a alternância de poder no país.

As eleições estão marcadas para o dia 4 de outubro de 2026. No DF, Ibaneis deve apoiar Celina Leão, que assume o governo e passa a ser sua principal aposta na sucessão local.

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